Sexta-feira, Janeiro 31

 
ABSURDOS

Palavras engavetadas no peito, dobras poéticas de tinteiros amores, ilusões de preencher papel cor de chegada. Espelho de absurdos, a imagem naufragada na aurora embevecida, cores se misturam nas ondas de solidão enquanto raia no horizonte um sol radioso de brilho indiferente.

Vejo água nas pedras, contornando, dando formas... mais à frente, te vejo passarinho vislumbrando futuros esquecidos. Escorre cantigas no teu silvo, enquanto no bosque, esperamos que algo nos toque.

...guarda esta ternura silente, que frageis caminhos teu coração possui... é trilha de bater poeiras escondidas, então, abre os dedos devagarzinho e desista de tentar prender vento entre as frestas dos teus dedos...



Quarta-feira, Janeiro 29

 
NA VITROLA

Dave Mathews Band - Satellite
Laura Pausini - Seamisai

PINGO NO I

Nunca quis fazer desse blog simplesmente um diário. Escrever que sábado fui na feira e comprei laranjas, que depois fui ao shopping e passei no cinema, etc, etc. Acho que tem gente que tem talento para fazer isso assim, apenas não é o meu caso. Nunca quis me expor, embora fale de uma forma indireta sobre coisas minhas, íntimas.

Nunca me apresentei aqui: Tenho 32 anos, divorciado, pai de dois filhos lindos. Trabalho numa montadora de automóveis, nada muito interessante ou que dê muito dinheiro.Gosto de poesia e me arrisco nos contos e poemas.

Há mais ou menos seis meses estou com um problema de saúde, problema no coração. Fiz uma angioplastia que não resolveu o problema, terei que fazer uma revascularização, quer dizer, uma ponte de safena. Andei fazendo uma série de exames pré-operatórios, por isso fiquei distante do blog. Agora aguardo os resultados e a consequente internação (deve ser logo), o que vai me deixar longe daqui por um tempo indefinido, já que a recuperação não é tão rápida.

Eu não ia escrever nada disso, mas como o carinho deixado nos comentários é tão grande e doce, resolvi explicar o que está acontecendo. Talvez eu peça para alguém colocar meus poemas aqui durante a minha ausência, eu tinha pensado nisso, mas agora não sei mais... é provável que o blog fique fechado junto comigo. De qualquer forma deixo aqui beijos e abraços para todos... cada um pode pegar o seu.

ah... não escrevi essas coisas para fazer drama, só para informar mesmo. Nem comentem esse post :o))






Terça-feira, Janeiro 28

 
RETICÊNCIAS...


O amor é ainda o que bastaria, para o céu prateado, desfazer-se em calmaria.
Brumas leves de cintilante algodão, na minha e na tua mão,
como nossos destinos, desatinos e mil desejos.
Milhares de flocos desaguariam rompendo as formas - estranha profusão.
Dissolveria-se a espera congelada no horizonte, sob um sol de marzipã.
Afinal, que gosto tem uma aventura de sabores estelares?
Há muito de mim tentando se expressar.
Seriam os elos dessa beleza infinda, vontades construídas?
Ou seriam estes: difusos na beleza delicada, um incessante querer?
Quantos caminhos restariam até o paraíso? Acharia o caminho de volta?
Desabotôo esta lágrima que mistura ao papel: sabores, questões e amores.


(Carlos Costa e Renata)

Segunda-feira, Janeiro 27

 
CONFIANÇA

Cuidado!!! Existe um elo, um elo perdido. Entre folhas e pedras, se perdeu. Ninguém mais viu, desapareceu, ou alguém escondeu. Cuidado, existe esse laço que une, que pode desatar, romper-se, tornar-se duro e apenas quebrar. Confiança não deve ser quebrada, sob o risco do elo nunca mais ser tão forte, do laço nunca mais atar...

***

NA VITROLA

Só Hoje - Jota Quest





Sábado, Janeiro 25

 
POR ENQUANTO

Dançam ponteiros, dançam memórias, dançam essas paredes brancas no castanho dos meus olhos. Existe uma espera teimosa que não se agita, apenas fica remoendo o desassôssego que eu não consigo traduzir em versos, uma inquietude que é vizinha dos anseios e que desconhece a paciência. É uma prece que custo a aprender, mas que sinto os ventos que entoam canções de saudade, e rogo dias serenos, improvisando futuros próximos.



Sexta-feira, Janeiro 17

 
Amigos, fico uns dias fora do ar. Espero voltar logo. leio com muito carinho cada comentário deixado aqui...

***

Rê... obrigado por tudo. Por sempre estar.

***

Abaixo, meu texto... minha imagem.

***

ATOL

Sentado, observo ao longe o bailar de gaivotas, todas envoltas no brilho dourado do sol. Observo as pedras e nelas me vejo, imutáveis, esperando a ação do tempo, o vento que as transforma. A brisa da tarde contorna meu rosto me trazendo o cheiro do mar. Vejo a luz desaparecendo, o dia morrendo e fico assim, sentado, sozinho, olhando o pôr do sol e esperando que quando a noite chegar, em algum lugar se acenda um farol.










Quarta-feira, Janeiro 15

 
VIAGEM FINAL

Canta o mar uma cantiga doce e delicada
Embalando em vagas as nesgas solares
Ponteando lumes pela madeira eivada
Dispersando brumas e as indiferenças polares.

Canta-me breve e intocável o agora luado prelúdio
Razão mareante, ajoelhada e anoitecida no púlpito
Pausando ímpetos vorazes surgidos no interlúdio
De uma partida final abraçada a um temor súbito.

A visão outrora turva alumia alvas escunas
Deslizando suave, flertando o vento ameno
Livre de rotas curvas singrando as lagunas

Paradeiro recôndito acolhido em mar sereno
O veleiro triste naufraga em suas próprias penas
Salgando as velas devagar, no ocaso pleno.

( Carlos Costa )






Terça-feira, Janeiro 14

 
BARCOS DE PAPEL II

Correm tímidos raios no arco-íris,
são beijos de sete cores no estio.
E na rua ainda molhada
continua pairando estampada
uma tristeza delicada.

Afago meu rascunho de saudade.
O papel de sentimento, vira brinquedo...
Um barquinho para navegar ilusões...
E se acabar aos poucos, devagar
na água que hoje o céu pranteou.






Segunda-feira, Janeiro 13

 
TRISTEZA

Hoje tem uma tristeza corrosiva escorrendo pelo dia. Teimando nos poros, abrasiva. Ficando nos momentos, em cada acontecimento. Mas não quero estar triste, muito menos ser triste. Hoje eu não queria me perder nas sombras, nem ser pretenso querendo ser luz. Quero quebrar o silêncio dessas horas insones. Quero ser breve nos pensamentos tortos e longo nos pensamentos de imensidão. Quero luz de sol, girassol e borboleta. Quero chuva e orvalho, janela aberta e a roseira no sereno.





Sábado, Janeiro 11

 
DRAMA

Ontem eu li esse poema dramático do Vina, não foi difícil achar na net. Tenha um pouco de paciência e leia aqui.

***

VÓRTICES

Em tímidas porções de futuro plantei sementes minhas, flertando raios amadurecidos de sóis ainda inexistentes que preenchessem lacunas abissais surgidas à partir de um desejo. Então, pudera estilhaçar os vitrais do tempo e vencer o destino, soprando inspirações renovadas nos ventos que causavam medo, sobrando no vôo liberto, apenas a certeza do pouso sereno.



Sexta-feira, Janeiro 10

 
"O quarto se espanta dessa felicidade que dura". ( Gaston Bachelard )

Claro, era muito mais que provável que as coisas mudassem. Estava escrito que tudo se perderia, afinal, só mantemos aquilo que nos cabe, aquilo que nos serve. O que não couber e não servir terá que ser interrompido, terminado ou transformado para algo que nos sirva. Isso dito assim parece feio. Mas é natural, afinal quem é que não pensa em si quando tem que escolher algo para a própria vida ? Até eu seria capaz de pensar assim. E vou...

***

WALTONS

Hoje está difícil conseguir dormir. Minha cabeça está cheia de ecos que eu tento não ouvir. Formulo teorias em que não quero acreditar, na verdade, sempre uma maneira de buscar motivos e razões. Algo que explique o desamparo e a falta de cuidado. Vi num programa de televisão uma matéria sobre antigos seriados. No meio do blá blá blá, mostraram a abertura de The Waltons, que passava em algum momento da década de 70. Ouvir de novo aquela música e rever aqueles personagens foi um passaporte para o passado, me lembrar muito mais que a história dos episódios, foi lembrar da minha infância, dos sábados em que a mãe ia para a feira e voltava com frutas e pastéis. Ah, tanta história.. tanta história mesmo. Sempre no final de cada episódio tinha uma reflexão noturna. Os personagens ( era uma família bem grande ) deitados em suas camas faziam uma reflexão sobre tudo o que tinha acontecido, então seguia-se o célebre "boa noite" trocado por todos : Boa noite Vovô... boa noite mamãe.. boa noite Mary Ellen.. boa noite Jonh Boy..

Agora acho que vou dormir. Boa noite.



Quarta-feira, Janeiro 8

 
10:45 hs – Dia largo nas expectativas próximas. Passos lentos marcando incertezas no caminho tão conhecido. O mundo pulsava ao redor feito um coração amedrontado, feito consequência irreversível que pára na trilha obliterada. Foi estranho olhar desse jeito aquelas árvores tão minhas, tão próximas. Olhar com ares de despedida, de nunca mais, de adeus.

13:11 hs – Li no Uol que há dois anos atrás uma estrela explodiu, desde então os cientistas começaram a calcular o quanto de massa essa estrela perdeu. Os números são absurdos, por volta de dez vezes a massa da Terra. Tinha uma fotografia linda lá que eu devia ter colocado aqui se tivesse tido tempo...
... não tive tempo, mas imaginei mais daquelas trilhas de cometas, daquele luzir nas trilhas siderais que reluzem me atando, dos asterismos cósmicos que seduzem nas noites em que estrelas nos são guias, de sóis libertos e afagos descomedidos no impossível brocado de sonhos, desses novelos, meus enredos, teus dedos, teus olhos e outras estrelas.

17:23 hs – Tem dias em que sentimentos surgem próximos, ainda que conflitantes. Porque se alternam e alternam o dia em momentos felizes ou melancólicos. Aí, fica pairando no ar um tristeza delicada, uma alegria quebradiça, um torpor estanque, um sorriso esperançoso.







Terça-feira, Janeiro 7

 
ECLIPSE

Ainda que as palavras se derramem em desejos anoitecidos, eu serei apenas laço atado em tua magia. Ainda que os céus chorem todas as estrelas em esperança cadente, eu serei apenas vínculo nesse nó de poesia. Ainda que a saudade cresça nesse coração consumido, serei apenas braços para arrebatar os abraços. E ainda que eu dilua em versos essa noite sem final, refletindo essa amplidão de pensamentos, luzindo o despertar inconteste que vejo nascer de ti: um sol no teu centro e uma lua que vem de dentro.



***

Havia uma série de imagens em desfile e poucas palavras que as traduzissem. Havia um filme na tv. Dentro do filme havia um violino. Dentro da música havia um amor. Dentro desse amor havia a minha mudez. Dentro do meu silêncio, a minha essência contida...




Segunda-feira, Janeiro 6

 
CARTA 4 ( para os filhos )

Sonhei versos de magia amanhecendo em um arco-íris onde poderíamos pintar destinos.
O engraçado é que tinhamos mãos de criança, eu também, pequenas e alvas mãos colorindo dias de nostalgia, pequenos anseios vazando das grandes prisões adultas onde seríamos atados por uma natureza inerte.
Brincávamos com uma aquarela, reforçando o celeste de um céu rajado de algodões cintilantes, nada mais queria para mim, apenas estar assim, bordando meus desejos na viva cor carmim.
Então, dormi ao relento para tentar capturar nas madrugadas as pequenas luzes que me chamam, que me olham, que me guardam.
Sonhei de olhos abertos imaginando aquele brilho refletindo em meus olhos. Mil pontinhos colorindo vocês, meus amores. Todos os anseios e segredos, todas as flores guardadas em meu peito.
Me fiz presente naquelas luzes ausentes de tão distantes, lancei os braços ao alto na esperança de me alcançar nesse momento. Quis fazer brinquedo das minhas vontades, quis estar livre nesse céu estrelado, pois queria, nesse palio de estrelas, gritar bem alto que posso, que consigo, principalmente se me derem a mão e brincarem comigo nesse luzir.

Filha, te dou um beijo de boa noite estalado na bochecha. Que meus olhos já vão fechar, mas que guardarei os teus nessa noite sem princípio... Dou um beijinho descuidado, assoprando teus cachinhos de cabelo para o lado, já morrendo de ciúme do dia em que estará dançando valsas com garotos de olhares perdidos na ventania poética de teus sonhares. Beijinho de boa noite.

Filho, sei da tua alma pura de tons claros, como teus cabelos lavados de chuva. Agora o que prende é o desejo de criar asas e voar com os colibris, festejar cores de aquarela doada pela natureza e, se precisar, roubo do arco-íris ou auroras-boreais, daquelas que tem mais ao norte, novas tintas para os teus castelos pintar.

A vontade é de carregar beijos teus, filhos, que meus ombros quase não aguentam o peso desses beijos, mas que corro e aguento porque minha alma lê tuas auras, nossos caminhos entrelaçados em beijos eternos.






 
BARCOS DE PAPEL

Longe de tudo e perdido nas horas, só descobri agora por que não escrevo. É que minhas palavras ( esse meu reflexo despido ) acabam me entregando, dizendo o que sinto, e com isso me afastando de coisas que deveriam habitar dentro de mim. O frio não incomoda mais, nem a garôa que me beija. Sinto apenas o fluxo dessas idas, sem vindas na água de chuva que vão me desfazendo devagar. Como se estivesse navegando na enxurrada, me acabando, feito um barquinho de papel.



Sexta-feira, Janeiro 3

 
Chato é ter que fazer as coisas por obrigação.



Quinta-feira, Janeiro 2

 
Dia complicado e chato por um lado. Mas se fosse brincar de Polyanna, diria que também foi esperançoso e cheio de saudade. Ouvi My Pledge of Love, e digam o que quiserem, eu adoro. Adoro o clima de saudade que este tipo de música instala. Essa saudade nem sempre precisa ter nome, é aquela saudade que às vezes se sente mesmo sem saber do que... de que...

Na saída do hospital tinha um contraste se acentuando nos beirais e nas árvores. Era um verde molhado de garoa cinzenta que se esparramava pelas coisas, uma névoa fininha tingindo a cidade de uma palidez reconfortante, meio que outonal ou invernal, não sei. Dentro da lanchonete quentinha, café com leite e pão de queijo num clima enfumaçado. Lá fora, toda aquela névoa fazendo sombras no cair da tarde, e a garoa se derramando pelos vidros na lanchonete. Preciso dizer de novo. Tinha poesia no ar... poesia de filme noir... não podia ser diferente, para completar o quadro faltava um cigarro.. que vontade de fumar..

"Who could hang a name on you? When you smile with every new day... Still I'm gonna miss you "( Stones )








Quarta-feira, Janeiro 1

 
FELIZ...

Braços que se rendem em abraços...

Sorrisos estampados em rostos beijados...

No céu, a noite se ilumina sobre as casas.. e daqui do chão os olhos se fixam como se fossem promessas luminosas e coloridas essas luzes que nascem e explodem e morrem. Nuances de desejos e promessas se desenham nas trilhas da queima de fogos riscada no céu. Durante esses minutos em que se revelam vontades, os dedos parecem tocar as virtudes alçadas e projetadas para o próximo ano. Não sou diferente... e misturam-se o fracasso e a esperança numa mesma lágrima dúbia que lamenta o que se perdeu e festeja a nova chance que chega...

Desejo confiar mais nas pessoas, sobretudo nos amigos, principalmente naqueles que eu conheço bem. Confiar e não me decepcionar...
Prometo confiar em mim mesmo, resgatando o caminho interior das trilhas que correm de fora para dentro.
Desejo mais banhos de chuva, mais tempo com os amigos...
Prometo cuidar mais de mim.
Desejo me traduzir, para que eu possa me entender... e me atender...
Desejo ser mais forte. Prometo tentar. Mais uma vez.


Noite