Quinta-feira, Maio 1

 
FRAGMENTOS

dois momentos diferentes, duas histórias que não se encontram, só pra mostrar que quando se quer, tudo pode, tudo acontece.

Nem sei quantos quilometros havíamos percorrido. A tarde se desfazia em um azul imenso que construía no meu rosto um sorriso muito intenso. Nessas tardes de outono, é simplesmente lindo olhar e sentir certas ruas e certos lugares por causa do vento manso que balança as folhas secas caídas. GIRASSÓIS – Desperto manhãs em meu próprio sonho adormecido. Abro os olhos e o coração se abre na sensação de estar sendo querido. Alegria e uma certa magia nascendo em meus lençois. Cresço em uma canção indiferente, que se torna presente em sustenidos e bemóis. Sentindo esse vento, vendo pessoas que pisam sobre essas folhas emaecidas, pálidas e caídas, retornam de forma involuntária as cenas de há pouco. Fotografias amareladas, poses eternizadas, felicidade cristalizada, fragmentos de momentos tantos, encantos, casamentos e batizados, aniversários e outras festas, o ideal buscado nessas frestas. E te busco nas flores que vejo, no perfume que inalo. Me sinto vivo nestas cores que almejo. Só por isso me encanto. Certas flores possuem feitiço. Angiospermas, gimnospermas, simplifico na espera. O pensamento voa longe, de encontro ao vento, de encontro às folhas. – Tá muito vento aí atrás? Posso fechar o vidro... No coração já cabe toda a amplidão de lacunas e pensamentos revoltos, olhares soltos e à espreita, por essas arborizadas sendas estreitas. E tudo que fica é essa beleza. A delicadeza de coisas simples: um filme no video-cassete, um café perto da praça, um carrinho no super-mercado e uma bola de sorvete de brigadeiro. Um sol vermelho se põe alheio a esses fragmentos de um dia inteiro. Não precisam ser acácias-meninas e nem bromélias. Não precisam ser flores lunares, nem solares, nem de outros sistemas – basta que sejam flores, apenas. Que enfeitem minhas manhãs os girassóis, enquanto qguardo o teu chamado, enquanto aguardo a tua voz.

( Carlos Costa )

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LENDO A CANÇÃO

Coração Noturno
(Raul Seixas)

Amanhece, amanhece. Amanhece o dia. Um leve toque de poesia, com a certeza que a luz que se derrama nos traga um pouco de alegria ! A frieza do relógio não compete com a quentura do meu coração. Coração que bate... 4 por 4... sem lógica... sem lógica e sem nenhuma razão. Bom dia, sol !! Bom dia, dia.
Olha a fonte, olha os montes, horizonte. Olha a luz e enxovalha e guia. A lua se oferece ao dia e eu guardo cada pedacinho de mim prá mim mesmo... rindo louco... louco... mas louco de euforia.
Bom dia, sol ! ! Bom dia, dia.
Eu e o coração, companheiros de absurdos no noturno, no soturno, no entanto, entretanto, meu Deus, e portanto... Bom dia, sol!! Bom dia, sol!!