Mais uma vez, da tua ausência, noite se fez.
Carregada de saudade e embalando desassossegos
Como se todo esse negrume fosse uma máscara
a esconder segredos e acalentar venturas ocasionais.
Como se eu não precisasse do lume desses teus olhos
A embalar-me em sonhos despertos e aéreos
Numa leveza permanente de um desejo que germina,
Numa vontade que se assenta companheira e não termina
Tendo meus dias preenchidos de teu riso e de teus sonhos
Sou explosão contida e imprecisa de alguma estrela esquecida
Mas quero ventar essas vontades em teus ouvidos
E como fosse um colibri a te beijar todas as flores
Serei um verso inquieto a completar-te em poesia
Serei um abraço náufrago a me agarrar em tuas ilhas
Desaguando luas em teu ventre de serenas estrelas nuas
Os sabores contidos e explodindo em amores claros
Toda a poesia escondida no meu poema interminado de amor...
da trilha do Moulin Rouge
YOUR SONG (Sua canção)
Elton John / Ronan Keating
É um pouco engraçado, esse sentimento aqui dentro
Não sou um daqueles, que facilmente conseguem esconder
Não tenho muito dinheiro, mas, menina, se eu tivesse
Eu compraria uma casa grande onde nós dois pudéssemos viver
Se eu fosse um escultor, mas de novo não sou
Ou um homem que faz poções num programa de viagem
Eu sei que não é muito, mas é o melhor que posso fazer
Meu dom é minha canção, e essa é pra você.
E você pode dizer pra todo mundo, essa é sua canção
Pode parecer bastante simples, mas agora que está feita
Eu espero que não se importe
Eu espero que não se importe
Que eu tenha colocado em palavras
O quão maravilhosa é vida enquanto você está nesse mundo.
Sentei no telhado e chutei pra longe o musgo
Bem, alguns poucos versos, eles me vieram à cabeça
Mas o sol foi generoso enquanto eu escrevia essa canção
É por pessoas como você, que ele continua aquecendo.
Assim, perdoe-me pelo esquecimento, mas essas coisas acontecem
Você sabe que eu esqueço, se eles são verdes ou azuis
De qualquer forma, a coisa é, o que quero dizer é que
Os seus são os mais doces olhos que eu já vi.
I hope you don't mind,
I hope you don't mind
That I put down in words
How wonderful life is while you're in the world.
LYA LUFT - do livro Histórias do tempo ( obrigado pela reflexão, Rê )
Alguém me conta a história do peixe-voador, que poderia ser uma metáfora sobre a minha metáfora dos homens-anjos: O peixe - confinado na sua vida de peixe como qualquer outro peixe deste mundo - no fundo de suas águas é tocado pelo rastro do vôo de uma gaivota. Mas não é por acaso que essa clara sombra lhe corta a alma: é porque por isso esperava. Deslumbra-se, quer ir, descobre que tem asas, e voa, e vai. E aquela a quem desejou não se assusta ao ver um peixe-voador, mas abre as suas asas também e lhe diz: - Vem comigo, vem comigo. Fundam nos ares e nas águas ( não importa ) a sua bela ilha. Um dia, o peixe vê refletidos na superfície seus próprios olhos e se assusta: revelam êxtase ou aflição? Porque afinal ele não é anjo nem pássaro - mas peixe. - Pode-se voar assim? - indaga. Ou tudo tem de estar dentro dos trilhos, controlado no mensurável cotidiano? Por quanto tempo será preciso respirar os mesmos ares para saborear esse novo contato - é preciso repetir uma experiência para entendê-la a fundo? Deve-se entrar na dimensão de quem se ama- até tocar os limites? Deve-se infringir essas fronteiras para - ao menos ali - ser inteiro ? Ou será melhor espreitar de longe o que nos parece miragem? Qual o preço mais alto a pagar: o da coragem - ou o da omissão ? Acabou descobrindo que era peixe e anjo. Que só quando voa um peixe também é inteiramente, e naturalmente, um peixe. Assim como só quando exerce o poder de suas asas um homem é inteira e simplesmente um homem. Ainda que seja nos intervalos, em alguma ilha mágica, é preciso olhar-se em dois espelhos - e descobrir que, em um e outro, somos o mesmo, e que sendo alternantes somos completos. " Na construção do nosso personagem - e todos somos isso no teatro do tempo - há sempre a surpresa do próximo ato. E não há roteiros fixos e o diretor se esconde na sombra, e nem o final é previsível, às vezes é preciso simplesmente saltar de olhos fechados, e apostar".
- Andei pensando muito Sally. A verdade é que eu te amo.
- O quê?
- Eu te amo...
- Como quer que eu responda?
- Que tal: Eu te amo também?
- Que tal: “estou indo embora”?
- O que eu disse não significa nada?
- Sinto muito. Sei que é Ano Novo, sei que está solitário, mas não pode aparecer aqui, dizer que me ama e esperar que fique tudo bem. Não é assim que funciona.
- Como funciona então?
- Não sei. Mas não é assim.
- E assim? : Adoro quando sente frio mesmo que faça vinte e dois graus. Adoro quando você demora uma hora pra pedir um sanduíche. Adoro sua ruga na testa quando olha pra mim como se eu fosse doido. Gosto de sentir seu perfume em mim depois de passar o dia com você. Adoro que seja a última pessoa com quem quero falar antes de dormir. E não é porque estou solitário... nem porque é noite de Ano Novo. Vim aqui hoje porque quando você percebe que quer passar o resto da vida com alguém... você simplesmente quer que o resto da vida comece o mais cedo possível..
- Está vendo? É típico de você. Diz coisas assim e torna impossível que eu o odeie...